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A SAÚDE PEDE SOCORRO

  • Foto do escritor: Felipe Ramos
    Felipe Ramos
  • 19 de jun. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 20 de jun. de 2025

Nesta matéria, vamos trazer, na íntegra, a real situação da saúde em Gravataí, Cachoeirinha e na Zona Norte de Porto Alegre.


Nesta reportagem especial, relatamos o que um cidadão enfrenta na busca por atendimento ambulatorial ou até mesmo em uma internação, levando em conta a gravidade do caso.

Em um dos casos que você, leitor, vai acompanhar, mostramos a trajetória de um paciente que buscou ajuda. Vamos chamá-lo de “O PACIENTE”.

Após sentir fortes dores abaixo do tórax, na região abdominal, no dia 6, o paciente dirigiu-se ao Hospital Dom João Becker. Ao chegar, deparou-se com uma placa na porta informando: “Atendimento adulto restrito, superlotação. Para demais atendimentos, dirija-se às UPAs ou UBSs.”

Diante disso, o paciente seguiu para o Hospital Padre Jeremias, que, aparentemente, estava com atendimento normal. Eram 2h40 da manhã. Durante horas, permaneceu vomitando em frente ao hospital e tentando suportar as fortes dores.

Após várias horas de espera, a médica de plantão Dra. Thais Dantas, chamou o PACIENTE para ser atendido e durante o atendimento falou sobre superlotação, enquanto isso o PACIENTE relatava que não suportava mais a dor intensa, então a Dra receitou a enfermagem que aplicasse morfina ultra ventosa e Buscopan. A médica explicou que nem sequer poderia realizar um exame de ecografia, pois o hospital só autoriza em casos de extrema urgência. Com muita muita existência o PACIENTE conseguiu que a Dra solicita-se um exame de sangue, ao mesmo tempo a questionou “Se isso não é urgência, então o que é?”. Após verificar o exame de sangue a Dra disse que se tratava de um problema na vesícula, mesmo assim não prescreveu nenhum medicamento, antibiótico ou sequer encaminhamento para internação sendo que o caso era de extrema urgência.

A médica apenas abaixou a cabeça e comentou que o hospital tem capacidade para 15 leitos na pediatria, mas, no momento, estava atendendo 38 pacientes.

Ela prescreveu medicação forte para dor e encerrou o atendimento. Isso já era por volta das 8h30 da manhã. Ao retornar para casa, o paciente seguiu sem resolução para seu problema.

O resumo dessa experiência é duro, mas real: seria mais honesto fechar as portas e colocar uma placa informando "Superlotação", para não iludir, por longas horas, quem chega acreditando que encontrará ajuda.

Passaram-se dois dias e, ainda sob efeito de fortes analgésicos, no dia 8, o paciente procurou o Hospital Conceição, que também estava superlotado e orientava os pacientes a se dirigirem à UPA da Assis Brasil.

Ao chegar lá, às 10h35, e ainda com dores intensas, foi atendido. Após a realização de um exame de sangue, às 17h, o médico diagnosticou infecção urinária e prescrever amoxicilina, acreditando que isso resolveria o problema.

Porém, 24 horas depois, com as dores persistindo, o paciente procurou uma clínica particular. O clínico geral, ao analisar os exames, foi enfático: “Seu caso é de internação de urgência.”

Imediatamente, o paciente seguiu para a UPA da 74, onde foi rapidamente atendido. Uma ambulância o conduziu para realizar uma ecografia com contraste. O exame confirmou a gravidade do quadro, e o paciente foi transferido diretamente para o Hospital Dom João Becker, onde precisou passar por cirurgia de urgência.

Naquele dia, a equipe liderada pelo Dr. Marcos Weindorter, junto ao Dr. Patrick Bolsan, agiu rapidamente para salvar o paciente. No entanto, infelizmente, a situação havia se agravado muito: a vesícula já havia estourado. Algo que seria uma cirurgia simples tornou-se grave, consequência da demora no atendimento, reflexo direto da inércia do poder público em relação à saúde.

Quando falamos de saúde, sabemos que o problema é nacional, e até mundial. Porém, a pergunta que fica é: “Até que ponto a saúde pública interessa aos políticos, além de se transformar em moeda de troca eleitoral?”

Cada município lida com a saúde de uma forma. Cachoeirinha, por exemplo, é uma cidade que não possui condições adequadas de investimento em equipamentos ou na contratação de pessoal. O Hospital Padre Jeremias, apesar de mudanças na gestão, só tem piorado. A falta de estrutura, equipamentos e médicos é inaceitável.

Por outro lado, há uma boa notícia: Gravataí tem feito investimentos constantes na melhoria da saúde pública. O grande salto foi a ampliação da gestão do Hospital Dom João Becker, que passou a ser administrado pelo Grupo Hospitalar Santa Casa. Diante de tanto sofrimento, essa é uma notícia que traz um pouco de alento para quem precisa de atendimento.


ATENDIMENTO:

Ao percorrer UPAs e hospitais, ficou claro o seguinte: As pessoas devem, primeiro, procurar uma UPA. Dependendo da gravidade da situação, podem ser encaminhadas para um hospital, se houver vaga. Vale lembrar que, muitas vezes, a distância entre uma UPA e outra é considerável.

Voltando ao caso do paciente, após a primeira cirurgia e cinco dias de recuperação, com uso intenso de antibióticos, ele precisou retornar para uma segunda cirurgia, pois ainda havia vestígios de infecção, então foi feita a limpeza novamente e uma raspagem. E para finalizar foi constatado pedra nos rins, e uma nova cirurgia pela frente. Mas agora sob os cuidados de alguém que realmente está preocupado com a vida humana.

Aqui, é necessário fazer um parêntese para agradecer e exaltar os profissionais da Santa Casa, pessoas que realmente amam o que fazem. Desde médicos, enfermeiros, até todos que compõem a equipe, são verdadeiros heróis que fazem desse grupo uma referência.

A direção do grupo hospitalar informa que muitas melhorias ocorreram graças a doações de móveis, aparelhos e outros itens, feitas tanto por pacientes que foram bem atendidos quanto por empresas da cidade. Tudo isso contribui para oferecer um atendimento mais digno aos novos pacientes.


UPA da 74, mesmo com grande procura, o empenho é notável em fazer o melhor possível.
UPA da 74, mesmo com grande procura, o empenho é notável em fazer o melhor possível.
Inércia do padre Jeremias.
Inércia do padre Jeremias.
A nova gestão trouxe alento a comunidade.
A nova gestão trouxe alento a comunidade.
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A amizade que se faz dentro dos quartos dos hospitais muitas vezes é para vida inteira. Ali um ajuda o outro como pode e o amor pelo próximo é algo muito bonito Fica o registro a os colegas de quarto Sérgio, Rogério, Alan e Paulo.

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